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Arquivo da categoria: poesia

>Tomara

>Tomara
Que você volte depressa
Que você não se despeça
Nunca mais do meu carinho
E chore, se arrependa
E pense muito
Que é melhor se sofrer junto
Que viver feliz sozinho

Tomara
Que a tristeza te convença
Que a saudade não compensa
E que a ausência não dá paz
E o verdadeiro amor de quem se ama
Tece a mesma antiga trama
Que não se desfaz

E a coisa mais divina
Que há no mundo
É viver cada segundo
Como nunca mais…

Vinícius de Moraes

 
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Publicado por em 10/02/2011 em poesia, vinicius de moraes

 

>Meus oito anos

>

“Oh! que saudades que tenho

Da aurora da minha vida,
Da minha infância querida
Que os anos não trazem mais!
Que amor, que sonhos, que flores,
Naquelas tardes fagueiras
À sombra das bananeiras,
Debaixo dos laranjais!


Como são belos os dias
Do despontar da existência!
— Respira a alma inocência
Como perfumes a flor;
O mar é — lago sereno,
O céu — um manto azulado,
O mundo — um sonho dourado,
A vida — um hino d’amor!


Que aurora, que sol, que vida,
Que noites de melodia
Naquela doce alegria,
Naquele ingênuo folgar!
O céu bordado d’estrelas,
A terra de aromas cheia
As ondas beijando a areia
E a lua beijando o mar!


Oh! dias da minha infância!
Oh! meu céu de primavera!
Que doce a vida não era
Nessa risonha manhã!
Em vez das mágoas de agora,
Eu tinha nessas delícias
De minha mãe as carícias
E beijos de minhã irmã!


Livre filho das montanhas,
Eu ia bem satisfeito,
Da camisa aberta o peito,
— Pés descalços, braços nus —
Correndo pelas campinas
A roda das cachoeiras,
Atrás das asas ligeiras
Das borboletas azuis!


Naqueles tempos ditosos
Ia colher as pitangas,
Trepava a tirar as mangas,
Brincava à beira do mar;
Rezava às Ave-Marias,
Achava o céu sempre lindo.
Adormecia sorrindo
E despertava a cantar!


…………………………..


Oh! que saudades que tenho
Da aurora da minha vida,
Da minha infância querida
Que os anos não trazem mais!
— Que amor, que sonhos, que flores,
Naquelas tardes fagueiras
A sombra das bananeiras
Debaixo dos laranjais!”


Casimiro de Abreu
 
1 comentário

Publicado por em 11/02/2010 em poesia, texto

 

>FLORES VIRTUAIS

>Vindas de longe.
Lindas…intocáveis e imortais.
Não tinham perfume…eram virtuais.
Traziam, no entanto,
todo o encanto de um carinho,
que viajou por um e-mail,
e, mesmo desse jeito, ele veio
resplandecendo de magia.
Falavam de amizade;
passavam ternura,
e nessa mistura…eu me emocionei.
Senti não poder tocá-las
ou mesmo colocá-las
num cantinho especial.
Então, instintivamente, guardei-as
bem no fundo do meu coração.
Embora fossem simples flores virtuais
fizeram brotar emoções bastante reais.
E, eu sei bem o porquê…
nelas havia um pouquinho de você.

Silvia Munhoz

Estas são todas nascidas nos meus muros, no meu quintal, nos meus vasos. Brotam na minha terra. Minha terra dando cria e se exibindo em cores para o sol.

Flor de Maracujá

Flor de Maio cor de rosa

Flor de Maio branca

 
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Publicado por em 19/05/2009 em flores, poesia

 

>Na minha casa tem pássaros de todas as cores

>Canção do exílio

Minha terra tem palmeiras,
Onde canta o Sabiá;
As aves, que aqui gorjeiam,
Não gorjeiam como lá.

Nosso céu tem mais estrelas,
Nossas várzeas têm mais flores,
Nossos bosques têm mais vida,
Nossa vida mais amores.

Em cismar, sozinho, à noite,
Mais prazer eu encontro lá;
Minha terra tem palmeiras,
Onde canta o Sabiá.

Minha terra tem primores,
Que tais não encontro eu cá;
Em cismar –sozinho, à noite–
Mais prazer eu encontro lá;
Minha terra tem palmeiras,
Onde canta o Sabiá.

Não permita Deus que eu morra,
Sem que eu volte para lá;
Sem que disfrute os primores
Que não encontro por cá;
Sem qu’inda aviste as palmeiras,
Onde canta o Sabiá.

Gonçalves Dias

Esses não são Sabiás mas são espetáculos da natureza. Eles aparecem lá na praia, quando o movimento de pessoas é baixo. Nos fartamos de observá-los e de tirar fotografias, só nos permitimos essa maneira de aprisioná-los. É o hobbie do meu marido. Já se acostumaram conosco e sabem que não lhes faremos mal algum. Deixam-nos chegar bem perto. São colírios para nossos olhos de tão belos. Passamos horas admirando a beleza ímpar desses seres que podem voar, cantar lindamente e nos causar tanta inveja.
Só nos resta prestar um tributo a eles. Essas criaturinhas tão pequenas e tão imensamente encantadoras.

 
 
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